Bênção urbi que fodi


Nota cardinalícia para os recasados que nos governam

Anda por aí imensa polémica por causa das declarações do cardeal patriarca a propósito da recomendação aos recasados para se livrarem do pecado da lascívia.

Tenho para mim que esta mensagem de sua excelência reverendíssima se dirigiu àqueles que usam o prefixo "re" na intenção de darem a volta a isto e tornarem tudo à sua maneira. Pois é aqui nesta pérola do Atlântico que tudo o que o cardeal proferiu é cumprido.

Dizem os media que para D. Manuel Clemente o acesso aos sacramentos por parte dos católicos recasados só deve ocorrer "em circunstâncias excecionais", realizado "de modo reservado" e "após um longo caminho de discernimento".

Atente-se então em alguns aspetos da nota do Patriarca dos católicos portugueses.

“Em circunstâncias excecionais”. É o caso. São circunstâncias de exceção aquelas que vivemos na Região. Pois só numa região excecional os multi-recasados que renovaram o partido, enganando tudo e todos, chegam ao governo onde, em cada semana, renovam contínuas promessas e recasam-se com a incompetência de não lograrem o desiderato de cumprirem os sacramentos do seu programa de governo. 

“De modo reservado”. É o caso. Tudo tem sido feito numa espécie de sinédrio onde os recasados, vulgo os renovados, se juntam em constante vigia e decidem na boa-vai-ela.

“Após um longo caminho de discernimento". É o caso. Digam lá se não é só depois de tanto discernirem que os recasados, vulgo os renovados, carregam no botão da máquina parideira (lá está, recasar e parir andam sempre ligados) e obsequeiam-nos com pérolas como o ferry que era-uma-certeza-ainda-não-veio-mas-há-de-vir (Ao Armas, ao Armas!/Sobre a terra, sobre o mar/Ao Armas, ao Armas!/Pela mobilidade lutar/Contra os lóbis marchar!), o modelo de mobilidade aérea que é um exemplo em todo o mundo com especial incidência na chamada ultraperiferia europeia. Em modo reservado, tipo eu-e-tu-e-nós-do-governo-com-ele-e-eles-dos-interesses-instalados.

Para o cardeal “estes crentes que se divorciaram de um primeiro casamento, devem ser aconselhados em primeiro lugar a “uma vida em continência" na nova situação, ou seja abstendo-se de relações sexuais. É o caso. Estes renovados-recasados que se divorciaram litigiosamente do casamento anterior com o partido basista, devem pois entrar numa vida de abstinência, deixando de fornicar o povo madeirense.

Desculpem lá qualquer coisinha se estavam à espera de que falasse dos recasados que nos governam e que, contrariando a máxima do cardeal, entendem que quantos mais casamentos e mais filhos melhor para o débil equilíbrio demográfico da região. Isto é dedicando-se ao excelso desígnio da cobrição. Ao contrário de Cristiano Ronaldo que parece cumprir avant la lettre o preceito cardinalício e encomenda filhos sem ter que violar a sua continência. Continência só a que faz quando marca o golo a gozar com o tal de Blatter.

Mas que cena esta, casar, descasar, recasar, recasados a governar, recasados não abstinentes que dão naming de aeroportos, praças e hotéis, a abstinentes da bola. Siiiiiiiiiii.

Hoje acaba o pecado carnal com aval, amanhã fica tudo em cinzas para a santa graça da reverendíssima mas, não juro que haja a verdadeira bênção, o eleitorado anda mais no "urbi que fodi".